segunda-feira, 13 de abril de 2009

Atrium... Vestibulum...


Esse é um poema que eu fiz nos idos de 96, quando estava fazendo cursinho pré-vestibular e estava apaixonado por uma amiga. O poema é muito mal do século e tenho até um pouco de vergonha dele. Mas o filho é meu e eu tenho que assumir...então lá vai.


Amor de vestibulando

Carlos A. C. Peroni


Eros me atirou uma flecha que
Após breve movimento obliquo
Acertou meu miocárdio
Traçando um estranho vetor
Cuja resultante apontava pra você.

Num intervalo de tempo desprezível
Me veio a idéia de lhe mandar fanerógamas
(que fazem fotossíntese mas também respiram)
Mas como em meu peito se encontra
O palco de uma Revolução Gloriosa
Essa idéia foi suprimida pelas forças
De extrema direita da timidez

Quero compartilhar elétrons contigo
Num beijo elevado à enésima potência
Mas me apresento como gás nobre
(não reajo com ninguém)
E nosso amor aparece
Como que dividido por zero

E nestes segmentos de reta
Onde exponho meus sentimentos
Cheios de barbarismos e erros de sintaxe
Me lembro do romantismo
Com seus poetas jovens e tuberculosos
Será isso mal de quem ama?

Cof!

Mas apesar dos tectonismos desse amor
Acredito que, como linhas paralelas,
Nos encontraremos no infinito.

Mas é melhor não pensar nisso agora,
Tenho que estudar pro vestibular.


P.S. Pra quem ficou curioso, mesmo com o poema (talvez por causa dele) a menina não quis nada comigo.

C’est domage...

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