sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"It's a pickle, no doubt about it."


Tem uma frase que vira-e-mexe eu escuto mas que toda vez consegue me irritar.
É o tal do “Só me arrependo do que eu não fiz!”
Que porra é essa?
Tirando o fato de ser um clichê muito do batido, é uma mentira deslavada. Quem nunca fez algo de que se arrependeu depois? Seja porque agiu por impulso, foi displicente ou covarde. Todo mundo mais cedo ou mais tarde passa por um momento desses.
É normal.
É humano.
É inevitável.
E não é nada pra se envergonhar. Se arrepender denota um amadurecimento. Agora você está mais sábio(a) do que quando você tomou a decisão, vê coisas que não era capaz de ver, e tem todas as ferramentas para não repetir o erro.
E tem outro lado nessa história: as decisões realmente difíceis, aquelas que te tiram o sono e te atormentam por dias a fio, essas são decisões das quais você vai se arrepender de qualquer jeito, tenha tomado a decisão certa ou não.
Aí está o trágico dessa história. Não vou negar que nessas situações, ter tomado a decisão certa alivia bastante o sofrimento posterior, mas inexoravelmente você, de tempos em tempos, será visitado pela perguntinha “E se eu tivesse feito diferente?”
Porque esse tipo de decisão envolve sacrifício, e você terá que ponderar, botar peso e valor em coisas que lhe são queridas. É um processo difícil e muitas vezes doloroso.
Isso me lembra uma frase dita pelo personagem de Paul Newman no filme Road to Perdition:
“There are only murderers in this room, Michael! Open your eyes! This is the life we choose, the life we lead. And there is only one guarantee: none of us will see heaven.”
Talvez seja por isso que chamem a proverbial árvore do paraíso de árvore do conhecimento do bem e do mal. Conhecimento envolve sacrifício, e é um caminho sem volta.
O que é bem diferente de dizer que é um caminho sem voltas. Não quero entrar aqui num clichê do tipo do qual falei mal no início do post, mas quem já viveu pelo menos um pouco sabe que a vida dá voltas, e às vezes até segundas chances. E se você não se arrepende de nada, grandes são as chances de que você não aprendeu nada.
Por mais amargo que seja o conhecimento eu sempre vou preferir ele à ignorância.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tem que ter culhão!


Não é fácil, mas é necessário. Pelo menos algumas vezes na vida. Alguns tentam ser mais educados, falam “ Tem que ser Homem” ou “Tem que ser macho”, mas a idéia é a mesma, e todas as expressões são errôneas. Errôneas porque não é uma exclusividade masculina. Não é raro ver mulheres com muito mais culhão do que a maioria dos machões à sua volta.
Mas o que é ter culhão?
Uma resposta simples a essa pergunta seria “ter coragem”, mas na verdade o buraco é mais embaixo...
Não é só ter coragem, é ter coragem de se impor no mundo, de assinar embaixo as coisas que você faz. Se alguma coisa dá errado e é culpa sua, quem é macho tem que assumir responsabilidade e encarar a punição, não ficar inventando desculpas ou colocar a culpa em outros.
Outra faceta de ser macho, talvez a mais importante, é a de sustentar o seu desejo. Mas o que vem a ser isso?
Sustentar o desejo é você ir atrás do que você quer. Isso é bem mais complicado do que parece à primeira vista. Primeiro é preciso descobrir o que você quer. E esse você é você mesmo! Não seus pais, seus amigos, seu cônjuge ou a sociedade. É fácil se confundir com isso, muitas vezes você tem certeza que quer alguma coisa, então quando finalmente consegue nos vêm uma sensação de vazio, e você se dá conta que realizou um desejo de seu pai, ou conseguiu uma coisa que seus amigos valorizam, mas você mesmo(a) não dá muito valor.
Já dá pra perceber que tem muito machão por aí que não é tão macho assim.
Depois é preciso batalhar pelo que você quer. Eu penso que o problema aí é que seu desejo NÃO É uma decisão lógica. Não é o emprego que paga mais, não é a garota mais bonita, nem a mais bacana. Pode até não ser uma garota. (leitoras por favor invertam o gênero, se necessário) Muita gente pensa que nesse desejo há um quê de autodestruição intrínseco. Não concordo muito com isso. A autodestruição normalmente é um meio do caminho. Você não cede ao desejo do outro, mas também não vai atrás do seu.
Complicado né?
Enquanto vocês matutam sobre essa idéia vamos descontrair um pouco...
Sempre fui fã do Ultraje a rigor, particularmente do Roger Moreira. Ele consegue colocar em suas letras coisas simples e importantes de nossa vida, fazendo sempre uma crítica ácida e bem-humorada. Sobre o assunto em questão temos a música “Ah, se eu fosse homem” que retrata bem o que quero dizer e dá um arremate rock&roll pra este post.